Notícias

nota-de-esclarecimento-a-triste-realidade-do-atual-momento-do-sindicalismo

Nota de esclarecimento: A triste realidade do atual momento do sindicalismo

Sex, 22 de Fevereiro de 2019 18:12

O Brasil como um todo vem passando por uma grave crise econômica nos últimos três anos, de forte estagnação, que limita a geração de novos empregos, investimentos e a recuperação da própria economia. Dentro deste cenário, e com a pretensa intenção de incentivar a criação de postos de trabalho e assim melhorar a vida do trabalhador, o governo federal aprovou, em 2017, a Reforma Trabalhista que, em pouco mais de um ano, não trouxe qualquer resultado positivo. Ao contrário, precarizou o trabalho, desequilibrando a balança na relação empregador-trabalhador e tornando ainda mais importante a presença do movimento sindical.

Além da mudança das regras que eram fruto de décadas de lutas de sindicatos e centrais sindicais dos mais variados ramos da atividade econômica do país, a Reforma trouxe também uma mudança que está ferindo de morte as entidades sindicais: a alteração na receita destas entidades. Antes, como representantes únicas de sua classe em sua área geográfica, os sindicatos eram remunerados através de uma contribuição compulsória a todos os trabalhadores daquela região. Neste contexto o STICC se manteve forte e atuante, obtendo diversas conquistas para os trabalhadores da construção civil de Porto Alegre e Região Metropolitana.

Contudo, a mudança confirmada por decisão do Ministério Público do Trabalho do Rio Grande do Sul em setembro de 2018, entidades como o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil de Porto Alegre - STICC só podem receber contribuições de trabalhadores associados.

Esta mudança repentina feriu de morte todo o movimento sindical brasileiro. A abrupta queda na receita trouxe dificuldades - ou a total impossibilidade - de manutenção da estrutura que os sindicatos tinham até então.

Sabendo do cenário que se aproximava, mesmo antes da aprovação da Reforma o STICC veio se preparando para as mudanças, mas elas acabaram sendo ainda mais graves e imediatas do que o esperado. Os primeiros efeitos mais sérios foram sentidos em SETEMBRO, quando a própria direção do sindicato deixou temporariamente de ser remunerada - até o momento esta "temporaneidade" é permanente. Em seguida, fornecedores (tanto terceiros quanto médicos que atendem aos trabalhadores na clínica da sede do próprio STICC) deixaram de receber seus merecidos proventos pelos atendimentos prestados.

Sem perspectiva de melhoras no cenário e sem intenção de demitir quaisquer de seus funcionários que, ao longo dos anos, de forma tão dedicada e profissional contribuíram para tornar o STICC o sindicato forte e reconhecido que é atualmente, a direção foi obrigada a começar a parcelar salários. Ainda assim, as despesas continuam muito acima das receitas obtidas com as contribuições dos associados.

É importante, neste momento, destacar que o STICC manteve durante todo o período, mesmo com todas as dificuldades, o atendimento de todos os seus setores aos trabalhadores. Desde a fiscalização diária nos canteiros de obra, saúde, benefícios e cobrança. Este esforço é reconhecido, por exemplo, pelo presidente nacional da União Geral dos Trabalhadores, Ricardo Patah, que afirma que "o Sindicato dos Trabalhadores nas Industrias da Construção Civil de Porto Alegre ( STICC) é reconhecido nacionalmente como um sindicato de ponta, depois da reforma trabalhista, vem enfrentando sérias dificuldades e sua direção não tem medido esforços no sentido de continuar na defesa dos interesses dos trabalhadores".

Em janeiro de 2019, porém, a situação chegou a um ponto no qual foi necessária uma atitude mais enérgica para evitar que a entidade tivesse que demitir funcionários. Por isto a direção do STICC propôs abertamente aos seus trabalhadores uma redução de 50% na sua carga horária e de 40% na sua remuneração. Ressaltando que não havia obrigatoriedade em aceitar, mas que a entidade também não tem condições de demitir ninguém.

A proposta, que não significa que o STICC não reconheça o direito de seus funcionários a sua remuneração total, não foi aceita por um grupo de agora ex-funcionários que, na manhã da última segunda-feira, 18 de fevereiro, bloquearam a sede da entidade, impedindo que os que permaneceram entrassem no prédio desde as primeiras horas da manhã até por volta das 15 horas.

Neste momento a prioridade total do STICC é reestabelecer o pagamento integral e em parcela única dos seus funcionários, pois entende que, como entidade que luta pelos direitos dos trabalhadores, deve dar o exemplo dentro de casa. A entidade ressalta que em nenhum momento teve a intenção de demitir sequer um funcionário, mas ajustes são necessários para enfrentar este difícil momento. A transparência é um valor fundamental para a atual direção e esta diretoria vem fazendo um esforço sobre-humano para solucionar esta situação o mais rápido possível.

Presidente Gelson Santana e diretoria
Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil de Porto Alegre

Confira as fotos:

TV STICC

Marreta Online

Marreta On-line

Denúncia

Denuncie informações aqui

Colônia de Férias

Colônia de Férias informações aqui