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Sindicatos e empresas do setor cimento discutem saídas para a crise

Ter, 01 de Março de 2016 09:33

As negociações coletivas no setor de cimento desde o ano passado até o momento, tem ocasionado indignação e reação dos sindicalistas responsáveis pela defesa dos direitos e conquistas dos trabalhadores do setor, cerca de 27 mil em todo o país, segundo o DIEESE.

O motivo é a oferta de reajuste de 0% nos salários apesar de uma taxa de inflação acumulada na ordem de 11,3% nos últimos 12 meses (INPC de fevereiro de 2015 a janeiro de 2016). Isso, num contexto onde 84,3% das negociações coletivas realizadas nos 12 meses de 2015 terem resultado em reajustes iguais ou superiores ao INPC-IBGE, segundo o mesmo DIEESE.

É fato que a redução da atividade econômica nos setores de construção civil e de infraestrutura vem ocasionando a redução da produção de cimento no Brasil, segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Cimento (SNIC). Dados preliminares da indústria e estimativas de mercado indicam que no primeiro mês de 2016, as vendas internas de cimento somaram 4,4 milhões de toneladas, com queda de 20,9% em relação a janeiro de 2015. As vendas acumuladas em 12 meses totalizaram 63,3 milhões de toneladas, 10,3% menor do que nos 12 meses anteriores.

Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil e similares de Porto Alegre e região (STICC POA) Gelson Santana, a mudança de cenário não justifica o não pagamento da inflação havida nos últimos 12 meses: “Isso é um absurdo. As empresas querem que os trabalhadores paguem com seus salários parte do insucesso de seus negócios, gerando um clima de incertezas e ameaças que coloca em risco não apenas as unidades de produção, mas toda a comunidade em seu entorno”, disse o sindicalista cujo Sindicato é afiliado da Internacional de Trabalhadores da Construção e da Madeira (ICM), uma federação sindical mundial que reúne cerca de 12 milhões de membros em 130 países.

“A ICM acompanha de perto o que está acontecendo no Brasil e tem os olhos também na ampla cadeia de fornecedores e clientes vinculada às empresas multinacionais do setor como Votorantim, InterCement, LafargeHolcim, CHR e outras”, complementou Santana. Segundo estudos da ICM, o número de mortes nesse setor é bastante elevado, há indícios de trabalho forçoso por dependência econômica, ausência de negociações coletivas baseadas na boa fé e na transparência, situações que contradizem as regras internacionais estabelecidas pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), segundo declarou o Representante Regional da ICM para a América Latina e o Caribe Nilton Freitas.

A entidade global planeja discutir esses temas em um encontro nacional das redes sindicais de trabalhadores da Votorantim Cimentos e InterCement a realizar-se no mês de maio, no Brasil e, junto às empresas do setor, em uma Conferencia Global que acontecerá na Cidade do Panamá no final de setembro desse ano. “Queremos que o setor se desenvolva de forma sustentável em suas dimensões econômica, social e ambiental, com trabalho decente, negociação coletiva e diálogo social fluído e permanente entre as empresas e os sindicatos do setor, já que cremos ser esta a única maneira de encarar os desafios de forma inovadora e produtiva”, disse o Representante Regional da ICM.

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