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5º Seminário de Valorização do Trabalho e Vida debateu o Diálogo Social na Construção Civil

Ter, 23 de Agosto de 2016 17:29

Na manhã desta terça-feira (23/08), o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil de Porto Alegre (STICC) reuniu, no auditório do Novotel, na Capital, centenas de pessoas para participar do 5º Seminário de Valorização do Trabalho e Vida. Nessa edição, importantes personalidades e entidades ligadas ao setor debateram o tema “Diálogo Social na Construção Civil”. Veja todas as fotos do evento.


Durante a abertura, o presidente do STICC, Gelson Santana, destacou a importância da realização de mais um seminário para a história do sindicato. “Há a necessidade de se melhorar a condição de vida do trabalhador. Não é pelo salário que os sindicatos que as entidades atuam. Nós lutamos pela qualidade de vida do trabalhador”, afirmou. O líder sindical ainda ressaltou a falta de diálogo de alguns empresários com os empregados. “Mesmo com a falta do diálogo por parte de alguns empresários, nó seguiremos forte. Seguiremos lutando pelo diálogo social.”

 

O prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, começou a sua fala informando do desemprego no País, que atualmente é superior a 11%. “A precarização no trabalho se agravou de alguns anos para cá e, por isso, é de extrema importância a realização desse seminário”, disse. “É um momento de questionamento, onde o desemprego aumenta e aparece o perigo da supressão do direito dos trabalhadores.”

 

Representando o governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori, o secretário do Trabalho, Catarina Paladini, afirmou que o seminário “é primordial que exista, pois, o debate é salutar para que tenhamos um verdadeiro diálogo com a sociedade, patrões e sindicatos”. “Na Secretaria Estadual do Trabalho procuramos melhorar a cada dia a vida do cidadão gaúcho. Todos sabem da nossa dificuldade financeira e, é neste momento, que o diálogo social são mais necessários ainda”, ressaltou.

 

A primeira palestra da manhã foi com o presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah, que apresentou ao público as “Práticas antissindicais no Brasil e no mundo”. Patah citou três casos mundiais de antissindicalismo: Wallmart, Nissan e Mcdonalds. “Essas empresas, nos Estados Unidos e no Canadá, praticam, infelizmente, essa prática.” No entanto, o líder sindical salientou que no Brasil, o governo do interino Michel Temer está impondo uma reforma trabalhista que será prejudicial para o trabalhador.

 

Em seguida, o auditor fiscal Luiz Alfredo Scienza apresentou a palestra “Experiências e diálogo social nas ações da Segur/SRTE”. Para Scienza, “a organização do trabalho está ligada diretamente aos acidentes de trabalho”. “Temos diversas alternativas para minimizar os riscos na construção, mas as empresas quase sempre escolhem a de menor custo, o que acaba gerando mais problemas”.

 

A última palestra da manhã foi realizada pelo cientista político Marcelo Suano, que abordou o tema “Crise Brasileira e Crises Internacionais quais as conexões?”. Para Suano, “o sindicato é a sociedade civil se movimentando em prol de um bem maior”. “A crise brasileira reflete os erros da nossa estrutura política.” De acordo com Suano, “o baixo nível cultural da nossa política decorre dos problemas da educação brasileira”.

 

No período da tarde, ocorrerá a palestra do vice-presidente do Tribunal Regional do Trabalho do RS, o desembargador João Pedro Silvestrin; da oficial da Organização Internacional do Trabalho, Márcia Soares; do secretário-geral da Fetracoma, Jorge Hernández, entre outros.

 

Na primeira palestra da tarde, o vice-presidente do Tribunal Regional Eleitoral do RS, o desembargador João Pedro Silvestrin, abordou o tema da “Terceirização” no País. De acordo com Silvestrin, “a terceirização da atividade-fim abre a possibilidade de se criar uma empresa de uma pessoa só, o que desvirtua o conceito de empreendedorismo e também da relação trabalhista”. "Existe um grande problema na construção civil que é a precarização do trabalho. Muitas empreiteiras não dão a mínima condição humana de se trabalhar. Também há a precarização dos salários. E é pela constante melhoria destas condições que os sindicatos lutam."


Na sequência, a oficial de projetos da Organização Internacional do Trabalho, Márcia Soares, conversou sobre a “Experiências de Diálogo Social em Tempos de Crise”. “A OIT nada mais que os seus diálogos e as normativas em cada um dos países. Nós temos normas bastante importantes, que trata sobre o trabalho infantil.” "Na nossa experiência vemos a necessidade de fortalecer a igualdade. O trabalho decente ocupa um lugar de destaque neste objetivo", afirmou.

 

O secretário-geral da Fetracoma, o chileno Jorge Hernández, apresentou a entidade aos presentes. Para Hernandez, “o diálogo aparece, no geral, depois de um conflito. Por isso que nos priorizamos e trabalhamos por um diálogo”.

 

O chefe do Ministério Público do Trabalho do RS, o procurador Rogério Uzun Fleischmann, em sua explanação salientou que “o mais importante é a ação coordenada. Percebemos a necessidade do Ministério Público do Trabalho se abrir para o diálogo com as mais diferentes instituições. Precisamos ouvir o outro para podermos entender seus problemas”. ”. “O STICC já demonstrou por meio de várias atitudes a sua preocupação real com o trabalhador. A presença dentro dos canteiros se faz necessária."

 

Por fim, o presidente do Sidntest-RS, Nilson Laucksen, apresentou a visão dos técnicos em segurança do trabalho. “Nosso diálogo, como técnicos, não fica do lado do patrão ou do trabalhador. Queremos que ambas as partes cumpram com suas responsabilidades. A empresa tem que oferecer os equipamentos necessários e o trabalhador precisa ter consciência de que precisa usar”. “Quem gera o risco tem que oferecer as medidas de controle.”

O seminário é uma iniciativa do STICC, em parceria com a UGT, Sinditest, Fundacentro, Fetracoma e Ministério do Trabalho.

Confira as fotos:

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